Num artigo anterior do nosso blog, “Para recrutar os melhores, construa a sua marca: Employer Branding”, explorámos o conceito de Employer Brand, que é a reputação de uma organização enquanto empregadora, e como pode ela construir e influenciar essa “marca”.

Neste artigo, vamos explorar o lado dos profissionais: o que procuram numa empresa e o que valorizam mais quando estão a decidir o seu próximo local de trabalho.

Gerações diferentes valorizam coisas diferentes?

Muito se tem escrito sobre as características das várias gerações e as suas diferentes formas de estar no mercado de trabalho. Em particular sobre os Millennials, ou geração Y (nascidos entre 1985 e 1995), que nos últimos anos invadiram as empresas e trocaram as voltas a muitos dos líderes pertencentes a gerações anteriores (geração X – nascidos entre 1965 e 1984 – e baby boomers – nascidos entre 1945 e 1964).

Atualmente, também já se começa a falar muito sobre a geração Z (nascidos entre 1996 e 2005), que em breve vai começar a entrar no mercado de trabalho.

É claro que cada profissional tem a sua personalidade e os seus gostos pessoais, mas existem algumas características comuns em cada geração, que são resultado das condições sociais e económicas que o mundo, ou cada país, vive em cada momento. Apesar disso, estudos da área indicam que existem diferenças entre gerações apenas em alguns aspetos, noutros nem por isso.

As organizações são uma mistura de gerações, e é difícil “agradar a gregos e a troianos”. O mais importante é conhecer o que cada profissional valoriza mais, como pode ser motivado, liderado e incentivado a liderar, para a organização obter melhores resultados. Para isso, é importante criar um ambiente de trabalho que valorize a honestidade e o feedback regular.

Como complemento, é importante conhecer algumas características globais de cada geração e perceber o que os profissionais, de uma forma geral, valorizam mais atualmente, pois isso vai ajudar a definir a Employer Brand da organização.

Neste artigo, vamos forcar-nos essencialmente nos profissionais da geração Y (Millennials, nascidos entre 1985 e 1995), que em poucos anos representarão 75% dos profissionais em vida ativa. E vamos também analisar as principais tendências do mercado, com base em alguns estudos de empresas da área, como a Universum, e instituições de ensino internacionais, como o INSEAD.

O que valorizam mais os profissionais da geração Y (Millennials)

Um estudo da Universum e do INSEAD analisou algumas das principais características dos Millennials relativamente ao mercado de trabalho em 43 países. Neste artigo, analisamos as principais conclusões sobre os europeus:

  • Os profissionais desta geração estão interessados em posições de liderança e procuram avançar rápido na carreira.
  • Aquilo que valorizam mais numa posição de liderança é: a oportunidade de influenciar a organização, o salário melhor e a possibilidade de trabalhar desafios estratégicos.
  • O que menos valorizam é: a responsabilidade sobre outras pessoas, o maior acesso à informação e o status.
  • Aquilo que mais valorizaram num gestor ou líder é a sua capacidade de ajudar os colaboradores a crescer (empower).
  • Para os Millennials, um “trabalho desafiador” não implica necessariamente trabalhar mais horas, tem mais a ver com o grau de inovação envolvido e o facto de se aprender coisas novas todos os dias.
  • Estes profissionais valorizam mais o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal do que dinheiro e status: quase metade (49%) afirmou estar disposto a abdicar de um trabalho bem remunerado por outro em que recebesse menos, mas tivesse um maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
  • As principais prioridades destes profissionais, na componente pessoal, são passar mais tempo com a família e aprender novas coisas para o seu desenvolvimento constante.
  • Para os Millennials, as organizações devem ser autênticas: valorizam mais a cultura organizacional e as componentes práticas do trabalho do que a comunicação institucional.
  • Um dos seus principais receios é ficar muito tempo num emprego sem oportunidades de desenvolvimento.

Estas características, embora gerais sobre uma geração heterogénea, dão boas pistas às empresas para construírem ou alterarem a sua Employer Brand. E, mais que isso, alterarem a sua cultura organizacional para conseguir atrair e reter os melhores profissionais desta geração.

As tendências globais

A verdade é que se nota uma mudança geral da “proposta de valor” das empresas, enquanto empregadoras (Employer Value Proposition – EVP), para ir ao encontro das expectativas, essencialmente, dos Millennials. Como já referimos, esta geração está perto de representar 75% do mercado de trabalho, o que acontecerá daqui a cerca de 2 anos.

De acordo com o estudo Employer Branding Now 2018, da Universum, as empresas estão a mudar o seu posicionamento, passando a apresentar o “propósito inspirador” como o seu principal valor enquanto empregadoras. Esta alteração também está a ocorrer no grupo das empresas mais atrativas para trabalhar (um ranking atualizado todos os anos pela Universum).

Para além do “propósito inspirador”, as organizações procuram também comunicar, mais que nos anos anteriores, o seu foco na inovação e em garantir um ambiente de trabalho amigável e flexível. No entanto, esta tendência é mais percetível nas grandes empresas, as pequenas continuam a comunicar aos profissionais as suas oportunidades de formação e desenvolvimento.

Apesar disso, os estudantes das áreas de Gestão, Economia, Engenharias e Tecnologias de Informação estão a afastar-se dos grandes empregadores, pois sentem que nessas organizações não conseguirão ter tanto impacto.

Os canais de comunicação que os estudantes e profissionais preferem atualmente, para conhecer e interagir com as organizações, são as redes sociais e os sites das empresas (áreas de recrutamento). Por essa razão, é essencial que as organizações tenham um plano de comunicação e marketing digital bem definido, não só para angariar clientes, mas também para atrair os melhores profissionais.

Concluindo

Enquanto o salário e a estabilidade de um emprego continuam a ser muito importantes para os profissionais, outros fatores como o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e o facto de trabalharem com um propósito ou causa têm mais importância no momento de escolher o seu futuro empregador.

Do ponto de vista das empresas, atualizar a sua missão ou investir na comunicação da Employer Brand é apenas o primeiro passo. Num mundo altamente social e em constante mudança, é preciso comprovar o “propósito inspirador” da empresa no dia-a-dia, e garantir a integridade e a autenticidade da marca.

Para que os profissionais que estão a avaliar a organização acreditem no seu compromisso com seus valores, precisam de ouvir os que estão no interior e ver como os valores se concretizam no dia-a-dia da vida profissional.

Podemos ajudá-lo a definir a estratégia de marca e comunicação da sua empresa, contacte-nos.


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