As tecnologias digitais estão a mudar a forma como criamos, distribuímos e consumimos informação – mais rápido do que alguma vez julgámos possível. Novos negócios aparecem e ameaçam grandes empresas porque criam novos produtos e novos modelos de negócio, assentes em novas tecnologias, que oferecem propostas de valor antes impensáveis.  A digitalização já não é só um tema do departamento de IT, é um tema da maior importância da gerência e do conselho de administração.

Neste contexto em constante mudança, como pode uma empresa singrar?

A transformação digital, tão falada e muitas vezes mal explicada, está, de facto, em curso. E não é um sprint, mas antes uma maratona. Observa-se que em setores distintos há diferentes velocidades, o que faz com que haja uma larga amplitude de entendimento e prática da transformação digital.

Estando hoje em dia a expressão “transformação digital” reduzida a mais uma buzzword da moda, é difícil para quem tem responsabilidades num negócio aferir o grau de maturidade da sua empresa para esta transformação inevitável ou se a está a executar adequadamente.

Elaborámos este guia prático para ajudar os decisores das organizações a aferir a sua capacidade digital, esteja a transformação por iniciar ou em curso.

Comecemos por classificar 4 graus de maturidade digital:

Resistência Exploração Transformação Disrupção
Pouca ou nenhuma consciência da disrupção que a digitalização trará ao negócio. Primeiras ideias sobre como lidar com a transformação digital. Alguma experimentação descoordenada. A organização ganhou consciência das oportunidades e desafios da inovação digital e a transformação está em curso em todas as dimensões relevantes. A organização transformou-se numa organização digital ou está perto disso.

Podemos então identificar 7 áreas de análise:

1.  Foco no Cliente

Conhece em detalhe os seus clientes, entende como se segmentam e quais as características de cada segmento?

As empresas devem recolher o máximo de informação sobre os seus clientes, incluindo informação demográfica, expectativas e preferências. É essencial analisar estes dados para definir segmentos (e micro-segmentos) e possibilitar um tratamento diferente a cada um destes perfis (ou personas).

Analisa e melhora sistematicamente a experiência oferecida aos seus clientes, e em especial, na coerência entre canais?

O tema da User Experience (UX) é central no caminho digital. As empresas devem ter uma abordagem focada no cliente e desenhar experiências que satisfaçam os utilizadores e os surpreendam. Este desafio é maior quando se pensa na coerência multi-canal, uma vez que os clientes tendem a usar os serviços por canais diferentes conforme o seu contexto particular (ex: app móvel, tablet, PC, call centre, balcão).

Recebe regularmente feedback dos seus clientes? Usa esses diálogos para melhorar e evoluir a sua oferta?

É essencial introduzir a análise sistemática da voz do cliente no processo de melhoria e evolução da oferta das empresas. É preciso criar os touchpoints onde se estimula esse diálogo e criar uma cultura que depende menos de opiniões internas e reage a factos apurados junto dos clientes.

A sua empresa tem em curso uma estratégia forte de marketing digital?

Os clientes estão cada vez mais nas redes sociais e nos meios de comunicação digital pelo que temos de os influenciar onde passam tempo e nos meios de comunicação que usam. O marketing digital está já a captar mais investimento que os canais de marketing tradicionais.

Tem ofertas personalizadas para os seus clientes?

Os clientes esperam interagir com marcas que os conheçam e lhes ofereçam vantagens que façam sentido para eles, seja ao nível da composição da oferta, seja ao nível do preço.

2.  Modelo de Negócio

Já re-imaginou a sua oferta num mundo crescentemente digital?

A digitalização abre novas possibilidades que podem acrescentar valor à sua oferta. As empresas devem fazer o exercício de entender como podem, por exemplo, recolher mais dados de clientes, alavancar a mobilidade, conectar ofertas ou imaginar como a Internet of Things (IoT) pode valorizar a sua proposta de valor.

Costuma desafiar regularmente o seu modelo de negócio?

As novas tecnologias abrem novas opções que, frequentemente, as startups identificam primeiro. As empresas estabelecidas devem fazer o exercício regular de identificar novos segmentos de mercado (ex: os millenials ou a geração Z), novas fontes de receita e outras novas oportunidades de monetizar valor oferecido ao cliente.

Já pensou em que novos negócios está a sua empresa bem preparada para entrar?

As fronteiras tradicionais entre indústrias estão a esbater-se e é essencial pensar out-of-the-box para identificar negócios adjacentes ou mesmo mais distantes onde as vantagens competitivas de cada empresa possam ser agora valorizadas de forma diferente num mundo mais digital.

Aproveita a digitalização para introduzir melhorias operacionais e reduzir custos?

As novas tecnologias permitem que as empresas mais facilmente se aproximem da excelência operacional, aproveitando novas tecnologias e novos modelos como por exemplo a cloud.

3.  Inovação Digital

A sua empresa dedica esforço e orçamento significativo a inovar a oferta?

A única certeza que temos é a mudança do mundo à nossa volta. As empresas devem ter uma visão clara e estratégica sobre a evolução da sua oferta, alocando suficiente atenção da gestão, bem como os meios para a inovação dar frutos.

A sua empresa está habituada a uma lógica Fail Fast & Cheap?

É essencial adotar ciclos curtos de evolução da oferta conjugados com testes contínuos junto dos clientes. Falhar faz parte do processo de aprendizagem. As novas ofertas devem ser testadas numa lógica de Minimum Viable Product (MVP).

Envolve o cliente no seu processo de inovação?

As lógicas de co-criação com os clientes fazem muito sentido num mundo onde se procura permanentemente a satisfação de novas necessidades. Os clientes privilegiam marcas que os oiçam e se adaptem melhor às suas necessidades.

Tem um ecossistema de parceiros de inovação?

Já é raro pensar que se pode estar sozinho no processo de inovação. Procure parceiros que aportem complementaridades que não conseguiria sozinho ou que lhe acelerem o processo.

4.  Revolução dos Dados

O seu negócio está desenhado para gerar continuamente dados?

As empresas devem gerar sempre que possível dados passíveis de ser analisados, coligindo de forma coerente e transversal informação para análise posterior.

Analisa sistematicamente os dados gerados de forma a obter informação relevante para o negócio?

É essencial ganhar competências de data analytics de forma a gerar insights sobre o funcionamento do seu negócio, que serão depois cruciais para melhorar e evoluir.

Correlaciona dados de silos distintos?

A abordagem tradicional de análise de informação em cada silo da empresa já não é suficiente. Há valor importante a ser gerado se cruzar dados de diferentes áreas do seu negócio.

Presta atenção a dados não estruturados?

Os meios digitais tornaram possível a recolha e análise de dados vindos, por exemplo, das redes sociais. O social listening é uma fonte importante de dados sobre a reputação, a concorrência ou a variação da procura da sua oferta.

5.  Liderança

A transformação digital é prioridade da gestão de topo e é liderada por um membro da administração?

Como estamos a falar de um tema com alcance estratégico, assim deve ser. Desconfie de programas digitais que ficam pelo IT ou por um sponsor intermédio. A nível mundial aumentam os casos em que o tema é chamado ao board e os estudos mostram que essa condição é crítica para o sucesso.

O tema da digitalização é transversal a todas as iniciativas relevantes da organização?

Tipicamente deveriam haver muito poucos temas sem a componente digital. Se isso acontece, é um alerta de que a organização não está a ver toda a abrangência da transformação.

6.  Cultura da Organização

A organização encoraja um espírito empreendedor de forma a constantemente se renovar no âmbito da economia digital?

As empresas que mais resultados apresentam na transformação digital são menos hierárquicas, mais ágeis, e incentivam iniciativas dos colaboradores. Mas quando estas falham são compreensivas e estimulam a aprendizagem.

Existe colaboração transversal em projetos de adoção digital?

Esta lógica da quebra das fronteiras entre silos de forma natural é essencial para uma transformação digital eficaz.

7.  Talento

A organização já procedeu a uma análise crítica das competências que lhe faltam para inovar e transformar digitalmente?

Entender em detalhe que tipo de competências (hard e soft) são necessárias para transformar o negócio é um passo prévio essencial para o sucesso de um programa de transformação digital.

Há um plano com medidas para garantir que a organização tem as adequadas competências, cobrindo contratações, planos de retenção, formação, etc?

A digitalização é exigente em termos de competências que são recentes no mercado, por isso é essencial que as políticas de recursos humanos sejam ágeis e eficazes.

 


 

Em resumo, são vários os domínios que devem ser assegurados para empreender uma transformação digital, que será com certeza emocionante mas ao mesmo tempo será muito ambiciosa. As empresas não devem menosprezar esta revolução sob pena de ficarem inevitavelmente para trás e, mesmo, desaparecer.

É essencial ter uma abordagem estratégica para endereçar este tema. Se quiser discutir o seu caso concreto pode contactar-nos. Teremos todo o gosto em explorar o assunto.

 


 

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